sábado, 2 de maio de 2015

Noni é encontrado facilmente em mercados e feiras do Grande Recife. Produtos que contenham fruto, natural da Ásia, têm venda proibida

fruta milagrosa é febre no pernambuco

Renan HolandaDo G1 PE
435 comentários
Noni (Foto: Renan Holanda / G1)Fruto exala um cheiro forte. (Foto: Renan Holanda / G1)
Uma fruta verde de tamanho médio e cheiro forte está entrando na rotina de muitas pessoas que vivem na Região Metropolitana do Recife e sofrem dos mais variados tipos de doenças. O noni, como é chamado o fruto da árvoreMorinda Citrifolia, pode ser encontrado facilmente em feiras livres e mercados públicos e tem sido utilizado por pessoas que sofrem desde dores de cabeça até pacientes com diabetes. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede a importação, comercialização e uso de produtos derivados da fruta. De acordo com a agência, os estudos científicos realizados até o momento, apesar de não conclusivos, revelam alguns casos de danos ao fígado e aos rins.

O taxista Paulo César Tavares, 44 anos, é um dos que defende a fruta. Diagnosticado com diabetes há três anos, ele enumera uma série de melhorias conquistadas desde que começou a tomar o suco de noni, forma mais popular de consumo. Tavares prepara a bebida por meio de uma mistura com uva. “Com apenas três semanas, eu perdi uns 5 kg e minhas taxas de glicose começaram a cair. As roupas estão todas frouxas”, conta. O taxista costuma comprar a fruta no bairro de Ouro Preto, em Olinda.

O noni é originário do Sudeste asiático e costuma ser encontrado largamente no Taiti, ilha da Polinésia. Apesar de, supostamente, ter efeitos terapêuticos e medicinais, produtos derivados da fruta têm a comercialização proibida no Brasil. A empresa norte-americana Morinda, que produz o suco Tahitian Noni, encerrou as operações no país em maio de 2009, alegando ser alvo de “muitas exigências dos órgãos governamentais”.
Venda de sucos, extratos e vitaminas extraídos do Noni são proibidas pela Anvisa (Foto: Renan Holanda / G1)Venda de sucos e vitaminas extraídos do Noni é
proibida pela Anvisa (Foto: Renan Holanda / G1)
Os vários produtos da empresa, incluindo o suco, continuam sendo comercializados em cerca de 30 países, incluindo alguns sul-americanos como o Uruguai, Chile, Peru e Paraguai. Para a Anvisa, não há respaldo científico para as supostas propriedades medicinais ou terapêuticas do noni. "São falaciosas as promessas de cura com base no consumo”, diz a agência.

A nutricionista e professora da faculdade Maurício de Nassau Ana Lígia Lins explica que o noni se encaixaria na categoria de alimento funcional, aquele que traz benefícios além dos meramente nutricionais. No entanto, há uma carência de comprovações dos benefícios da fruta. “Essa comprovação requer várias etapas, como a quantidade a ser ingerida, a toxicidade do produto. O noni não tem essas comprovações, portanto não há propriedade para prescrevê-lo a um paciente”, afirma.

Ana Lins, todavia, ressalta que não há restrição ao consumo saudável do alimento (uma fruta a cada dois dias, por exemplo), quando o noni é parte integrante de uma dieta, assim como qualquer outro alimento. O problema, diz ela, está no fato de tratar a fruta enquanto remédio: “As pessoas costumam consumir o suco de noni acreditando que ele fará milagre, argumentando que é algo natural. Também existe veneno natural. Ainda há vários questionamentos sobre o noni a serem respondidos”, pondera.
No quintal de casa
O radialista e funcionário público Geraldo Clemente, 52 anos, é outro defensor do noni. Ele virou consumidor da fruta há cerca de um ano, quando procurava uma forma de resolver problemas na próstata. “Conheci por meio de um colega, aí fui pesquisar na internet. Como a ‘garrafada’ era muito cara, resolvi plantar umas sementes e fazer tudo em casa mesmo”, conta. Clemente, morador de Tejipió, Zona Oeste do Recife, tem três pés do fruto no quintal e prepara dois litros da “garrafada”, usando três nonis e 50g de uvas pretas.
Funcionário público Geraldo Clemente e o pé de Noni que plantou em casa (Foto: Renan Holanda / G1)Geraldo Clemente tem três pés de noni em casa
(Foto: Renan Holanda / G1)
Ele perde as contas quando enumera os benefícios conquistados desde que começou a beber o suco com frequência: disposição sexual, boas taxas de colesterol e triglicerídios, além de ter curado a incontinência urinária, decorrente da doença na próstata. “Coloco dois dedinhos num copo e tomo pela manhã, em jejum, e também à noite, antes ou depois do jantar. Os resultados são tão bons que nem tomo mais a medicação receitada pela urologista”, afirma.

O taxista Paulo César Tavares começou a tomar o suco de noni no começo de março e também pretende cultivar a fruta por conta própria. Assim como Clemente, o condutor só enxerga benefícios ao falar das propriedades do noni. “Eu era depressivo, não conseguia acordar cedo. Agora, levanto às 4h30 todos os dias e nem tiro mais um cochilo depois do almoço, como sempre fazia”, conta.

Foi por causa de Tavares que o também taxista Sales Damasceno, 50 anos, virou consumidor do noni. Mesmo achando o gosto ruim, ele faz e bebe o suco. “Comecei a tomar só para manter minha saúde em dia mesmo. Não tenho nenhum problema grave”, diz. Damasceno chega a gastar cerca de R$ 50 a cada duas semanas para poder comprar a fruta.
Preço salgado
O noni é encontrado facilmente nos mercados públicos e feiras livres da Região Metropolitana do Recife. O preço, no entanto, não é dos mais convidativos. No Mercado de São José, no centro da capital pernambucana, é possível encontrar o quilo da fruta por R$ 15. Uma unidade é vendida por R$ 2. “Eu vendia (o noni) muito bem há um tempo, mas hoje em dia a procura caiu bastante. Todo mundo está plantando em casa”, reclama o comerciante Rivaldo Souza, responsável por uma barraca de frutas no Mercado de São José. No centro de compras, ainda dá para achar abertamente vitaminas e extratos de noni, cuja venda é proibida. O preço é mais acessível do que o da fruta: uma garrafa com 500 ml sai por R$ 10.
Noni à venda em feira livre de Ouro Preto, em Olinda (Foto: Renan Holanda / G1)Noni à venda em feira livre de Ouro Preto, em Olinda
(Foto: Renan Holanda / G1)
Na área comercial do bairro de Ouro Preto, em Olinda, o quilo da fruta sai mais barato: R$ 12. Há também outros locais onde o noni pode ser achado. O funcionário público Geraldo Clemente conta que costuma comprar no Mercado de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes.
Anvisa 
De acordo com a Anvisa, como se trata de uma fruta que não tem histórico de uso no Brasil, o órgão proíbe a comercialização de qualquer alimento que contenha noni. Um informe técnico publicado pela agência em 2001 afirma que a avaliação da segurança referente ao consumo de noni deve ser baseada em critérios rígidos. “É notória, ainda, a falta de estudos sistemáticos avaliando o suco de noni em humanos nos países onde o produto é comercializado”, diz o documento.

Ainda de acordo com a Anvisa, a fiscalização é de responsabilidade dos órgãos estaduais e municipais competentes. As multas por infração sanitária no Brasil variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão. O valor é determinado por quem fiscaliza e varia de acordo com cada ocasião.

O gerente-geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Jaime Brito, disse não poder fazer nada quanto ao fato de as pessoas produzirem o suco de noni em casa, de forma artesanal, mas afirmou que a fiscalização na rua será reforçada. “Nós já havíamos dado informações à população sobre a proibição da venda desses produtos (extratos, vitaminas, sucos). A partir de agora, vamos intensificar a fiscalização para impedir que estabelecimentos sigam comercializando material proibido”, afirmou.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Recife informou que cabe à Vigilância Sanitária municipal inspecionar o comércio de alimentos. A prioridade são os estabelecimentos que oferecem maior risco, como farmácias, hospitais, fábricas de gelo e restaurantes em geral. O Distrito Sanitário I, responsável pelos bairros da área central da capital, comprometeu-se em realizar inspeções nos mercados públicos da cidade, incluindo o de São José. As penalidades para quem for flagrado comercializando produtos proibidos variam de advertências e interdição do estabelecimento até multa.

Professores da rede pública fazem greve em cinco estados


Categoria paralisou atividades em SP, PA, SC, PE e PR.
Profissionais pedem revisão no plano de cargos e salários.

Do G1, em São Paulo
Os professores da rede pública fazem greve em cinco estados do país. Além de São Paulo, onde a mobilização teve início no dia 13 de março, a categoria também paralisou as atividades em Pernambuco, Pará, Paraná e Santa Catarina.
As reivindicações incluem a revisão do plano de cargos e salários, melhores condições de trabalho e reajuste de vale-alimentação.
Pará
A greve dos professores no Pará teve início em 25 de março. A categoria reivindica pagamento do piso salarial nacional, de R$ 1.917,78, e o cumprimento do plano de carreira unificado com outras profissões do estado.
Eles reclamam ainda da falta de concursos para a contratação de novos professores. Os docentes querem também reajuste do vale-alimentação e melhorias, como a reforma e construção de mais escolas.
Segundo o governo, a folha de pagamento dos professores de abril será fechada de acordo com a última proposta apresentada nas negociações, que prevê uma lotação de 220 horas por professor, sendo 150 dentro de sala de aula e mais 70 horas suplementares.
Foi proposto ainda o pagamento dos retroativos dos meses de janeiro a março deste ano, em quatro parcelas. O valor, que chega ao montante de R$ 100 milhões, seria pago em duas parcelas ainda em 2015 (agosto e novembro) e duas em 2016 (março e agosto).
Atualmente, 1.054 escolas atendem a cerca de 700 mil estudantes no sistema de ensino estadual do Pará. O Comando de Greve avalia que a paralisação atinge 94% das escolas da rede estadual, sendo que mais de 120 municípios aderiram à greve.
Segundo os professores, determinados itens da pauta de reivindicação permanecem pendentes. Os professores querem que o governo apresente melhorias nas propostas até então apresentadas para que haja de fato avanços na negociação.
Paraná
Os professores estão em greve no estado há seis dias. Uma assembleia marcada para terça-feira (5) deve definir sobre a continuidade ou não da mobilização. Quase um milhão de alunos estão sem aula por causa da paralisação.
Nesta sexta, a categoria fez uma passeatacontra o confronto que terminou com mais de 200 feridos na quarta-feira (29). Os professores se concentraram na Praça 19 de Dezembro e seguiram em direção ao Centro Cívico.
De acordo com Hermes Leão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública (APP-Sindicato), 10 mil pessoas participaram do protesto. Já a Polícia Militar (PM), contabilizou três mil participantes.
Os professores são contra a aprovação do projeto de lei que promove mudanças no custeio da ParanaPrevidência, o regime próprio da Previdência Social dos servidores paranaenses. A proposta foi sancionada pelo governador Beto Richa (PSDB) na quinta (30). Com a sanção, a lei entra em vigor assim que publicada em "Diário Oficial", o que deve ocorrer nos próximos dias, segundo o governo.
Pernambuco
A greve já dura 21 dias no estado. Na quinta-feira (30), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) fez uma assembleia com a categoria, que chegou a interromper o trânsito em ruas do centro da cidade.
A categoria deve voltar a se reunir em assembleia na próxima segunda-feira (4), às 14h, no Centro de Convenções. Os professores reivindicam aumento de 13,01% para toda a categoria.
A proposta do governo estadual é aumentar o salário dos profissionais com ensino médio (antigo magistério), o que corresponde a 10% da categoria.
Santa Catarina
Mais de 50 pessoas passaram a noite acampadas na Assembleia Legislativa, em Florianópolis. Desde terça (28), alguns grevistas dormem no saguão da Alesc.
A greve teve início no dia 24 de março e, segundo o sindicato, a adesão é de 30% dos professores.
Já o governo afirma que apenas 10% dos profissionais estão em greve.
A categoria reivindica principalmente o plano de carreira do magistério estadual e mudanças na lei que trata dos direitos dos professores temporários. O governo apresentou uma proposta, que foi rejeitada pelos grevistas. Entenda melhor as reivindicações aqui.
São Paulo
A greve em São Paulo foi declarada no dia 13 de março. Na quinta-feira, a Apeoesp informou que entrou com pedido de dissídio coletivo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Uma audiência de conciliação foi agendada para a próxima semana.
Os professores reivindicam 75,33% para equiparação salarial com as demais categorias com formação de nível superior. Os professores também pedem melhores condições de trabalho.
A Secretaria de Estado da Educação diz ter dado reajuste de 45% no acumulado dos últimos quatro anos. A pasta diz que apresentou três propostas em reunião em 23 de abril, entre elas a manutenção de uma "política salarial pelos próximos quatro anos com data base em 1º de julho".
Entretanto, o governo não deu números e não detalhou qual seria a proposta de reajuste para o dissídio. As outras duas propostas citadas pela gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) durante a reunião estão contidas em uma proposta de projeto de lei que ainda precisa ser enviado para a Assembleia.
O projeto prevê a inclusão dos professores temporários na rede de atendimento do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) e estabelece a redução da exigência de 200 dias de intervalo a partir do terceiro contrato destes docentes (duzentena).

Santa Cruz x Salgueiro: uma final diferente

Santa Cruz x Salgueiro: uma final de Pernambucano ideal para consagrar um herói

Decisão do Estadual será às 16h deste domingo, no estádio do Arruda

Paulo Paiva/DP/D.A Press
É o jogo decisivo de uma final histórica, no maior palco do futebol local. Frente a frente, a tradição centenária do Santa Cruz e o Salgueiro, um time que, em dez anos, conquistou o posto de principal força do interior pernambucano. Times baseados na força coletiva, que não cogitam a possibilidade de deixar escapar um título tão próximo - e que no início do Campeonato Pernambucano parecia distante. Um duelo cercado de apreensão, propício para coroar, como heróis, atletas que pouco brilharam sob os holofotes.
Em um campeonato de nível técnico bastante contestado, apontar um possível herói não é tarefa fácil. Até porque, diferentemente de outros anos, não houve na atual edição do Estadual um jogador que se sobressaísse diante dos demais. Os dois finalistas são exemplos disso. Elencos de improváveis candidatos a ídolos. A começar pelo gol.
Fred e Luciano são hoje bem maiores do que foram ontem. O primeiro, após três temporadas, conseguiu sair da sombra de Tiago Cardoso. E porque Bruno, contratado para ser o titular, exagerou nas falhas. O segundo esperou 10 anos no Salgueiro para ser valorizado. Vivendo o auge da carreira, foi eleito o melhor camisa 1 do Estadual.
A lista das apostas não unânimes segue. Qual torcedor coral colocaria as suas fichas no atacante Betinho? Apesar de ser o artilheiro, o jogador ainda é olhado com desconfiança pela torcida. A seu favor, além dos cinco gols marcados, o fato de já ter vivido a experiência de ser aclamado herói de um título: o da Copa do Brasil, de 2012, pelo Palmeiras.
No Salgueiro, uma das esperanças recai sobre um jogador que praticamente havia pendurado as chuteiras. Porém, aos 35 anos, e após uma temporada inteira sem atuar, o meia Lúcio se tornou um dos pilares surpreendentes deste surpreendente Salgueiro. Currículo com passagens por grandes clubes, como Palmeiras, São Paulo e Grêmio, que pode ajudar.
A lista dos improváveis redentores continua. Regular em todo campeonato, falta ao meia João Paulo, pelo lado do Santa, “a” grande atuação. Após perder um pênalti no jogo de ida, Rogério Paraíba pode se redimir pelo Salgueiro? Seria esse o seu destino?
O fato é que, numa edição do Estadual na qual o espírito coletivo se sobressaiu mais do que nunca, é hora do brilho individual. É o último jogo. A final. Vale o título. E uma grande conquista precisa de heróis.

Estado Islâmico 'matou 300 membros de minoria religosa' no Iraque


Centenas de prisioneiros yazídis foram assassinados por milícia extremista perto de Mosul, segundo autoridades iraquianas e yazídis.

Da BBC
Centenas de prisioneiros da etnia yazídi foram mortos no Iraque pelo autodenominado Estado Islâmico (EI), segundo autoridades iraquianas e yazídis.
Em comunicado, o Partido do Progresso Yazídi disse que 300 detidos foram mortos na sexta-feira (1º) no distrito de Tal Afar, a oeste de Mosul.
A agremiação qualificou o ato como "crime hediondo". O vice-presidente iraquiano, Osama al-Nujaifi, disse que as mortes são "horríveis e bárbaras".
Não está claro como os prisioneiros foram mortos nem por que isso ocorreu agora, afirmou o editor de Oriente Médio da BBC, Alan Johnston.
Os yazídis, cuja fé inclui elementos de várias religiões, são considerados infieis por militantes do EI.
Milhares de membros da minoria étnica foram capturados pelo EI no ano passado, à medida que a milícia avançava sobre partes do Iraque e Síria.
Outros fugiram para a região sob controle curdo no norte do Iraque depois que o EI tomou o distrito de Sinjar, a oeste de Mosul, que abragava muitos membros da etnia.
Centenas de homens yazídis foram mortos e mulheres foram usadas como escravas sexuais.
Em janeiro, o 'Estado Islâmico' liberou cerca de 200 yazídis, principalmente idosos, perto da cidade de Kirkuk. Muitos deles tinham deficiências ou estavam feridos.
Nos últimos meses, uma contraofensiva de forças curdas recuperou áreas do EI, mas acredita-se que muitas aldeias yazídis continuem sob controle dos militantes.
O governo iraquiano, com forças apoiadas pelo Irã, também declarou que tinha tomado o controle da cidade de Tikrit em abril.