terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vitória por 3 a 1 no estádio do Arruda é marcada por grande confusão no fim, mas deixa o Cobra Coral na zona de acesso à elite nacional. Time paulista segue ameaçado e vê o Z-4 mais próximo

O JOGO
O Santa Cruz entrou em campo para enfrentar o Oeste na noite desta superterça da Série B do Campeonato Brasileiro pressionado pelos resultados dos jogos que já estavam em andamento – quando o árbitro apitou, o Cobra Coral estava perdendo a sua vaga no G-4. Mas o time pernambucano, empurrado por sua torcida, que compareceu em bom número ao Estádio do Arruda, venceu bem a partida, por 3 a 1, e retomou o lugar que era seu na zona de acesso à elite nacional. Com bolas paradas eficientes no primeiro tempo, como a bela falta cobrada por Daniel Costa (foto), e um jogo controlado no segundo, o time do técnico Marcelo Martellote chegou ao seu objetivo. Nem mesmo uma grande confusão ao final da partida tirou o brilho da vitória que mantém os pernambucanos firmes na disputa.


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mais de cem prefeituras fecham as portas em PE, nesta segunda-feira


Prefeitos vieram ao Recife para protestar pela falta de repasse de recursos.
Apenas serviços essenciais serão oferecidos à população.

Do G1 PE
Prefeitos de municípios pernambucanos se reúnem na Assembleia Legisltativa (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)Prefeitos de municípios pernambucanos se reúnem na Assembleia Legisltativa (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
Levantamento da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) indica que pelo menos 110 das 184 prefeituras do estado fecharam as portas nesta segunda-feira (9), em protesto pela falta de repasses federais aos municípios. Apenas os serviços essenciais serão oferecidos à população das respectivas cidades durante o dia. Nesta manhã, dezenas de prefeitos participaram de um ato público na Assembleia Legislativa de Pernambuco para tentar buscar soluções para a crise.
Mais de cem prefeitos tomaram as galerias da Casa de Joaquim Nabuco para sensibilizar os deputados estaduais sobre a escassez de recursos que atinge as prefeituras. Após o ato, os prefeitos marcharam da Assembleia Legislativa, na Rua da Aurora, até o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. "Vamos pedir ao governador que garanta a continuidade do FEM (Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal) e que mantenha algumas políticas como a do ICMS que garante repasses estaduais às cidades", destacou.
Prefeitos marcham da Alepe ao Palácio do Campo das Princesas (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)Prefeitos marcham da Alepe ao Campo das
Princesas (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
O presidente da Amupe e prefeito de Afogados de Ingazeira, José Patriota (PSB), afirmou que a situação das prefeituras está insustentável atualmente. "Estamos tentando mostrar à sociedade que não há como manter os serviços de educação, saúde dentro desse quadro atual", ponderou.
Patriota destacou que os municípios pernambucanos deixaram de ganhar mais de R$ 6 bilhões em decorrência das desonerações na arrecadação originária do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), como a do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e em consequência da baixa do Imposto de Renda, outro componente do FPM.
A educação pública, afirma Patriota, reforça o quadro de precariedade, apresentando uma qualidade muito distante da necessária. Nesse âmbito, o repasse dos recursos para o transporte dos alunos pela União é de R$12 por mês para cada aluno, o que corresponde a R$ 0,72 por dia, por aluno. "Se consideramos o valor da tarifa A, menor tarifa do transporte coletivo adotada no Recife, aluno nenhum estudaria, devido à insuficiência de recursos" afirma. Em relação à merenda escolar, criada como um programa complementar de segurança alimentar, a União repassa apenas R$0,30 por dia/aluno. Dá para acreditar?", questiona Patriota.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

IPTU de Recife, Jaboatão e Olinda terá aumento de quase 10% em 2016

Reajuste de 9,93% é referente a variação da inflação dos últimos 12 meses.

Prefeituras já anunciaram que haverá mutirões para negociar débitos.

Do G1 PE
Seguindo a correção monetária prevista para o ano que vem, o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) terá um aumento de quase 10% em três dos principais municípios da Região Metropolitana do Recife. O bolso do contribuinte que reside no Recife, em Jaboatão dos Guararapes e em Olinda sentirá o reajuste de 9,93% referente a variação da inflação do país no acumulado dos últimos 12 meses medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda confirmaram esse acréscimo. O diretor de administração tributária de Olinda, José Carlos Vieira Machado, explicou que o IPTU integra uma série de aumentos que o pernambucano terá que pagar a mais ano que vem. “Ele está pagando mais caro por tudo por causa da atual situação econômica. Na verdade, o que está sendo aplicado é a inflação. Tudo está mais caro, até o coitado do IPTU”, disse.

Prevendo uma dificuldade em arrecadar este valor, as prefeituras já anunciaram que haverá mutirões para negociar possíveis dívidas deste e do ano que vem. No caso de Olinda, é disponibilizado um desconto de 30% na cota única e 10% nas parcelas se o contribuinte terminar este ano em dia com a taxa. “Está previsto para o mês de dezembro deste ano um mutirão para quem estiver com débitos atrasados e quer resolver essa situação. Isso já ajuda a pessoa para o ano que vem”, afirma Machado.

As prefeituras de Jaboatão dos Guararapes e do Recife adiantaram que os mutirões estão confirmados. Quanto ao Recife, o contribuinte sem débito terá um desconto de 10% na cota única e 5% optar pelo pagamento parcelado. De um total de 310 milhões, a gestão recifense ainda comunicou que já foram arrecadados mais de R$ 288 milhões em 2015. Esses números confirmam uma adimplência de 80%.

A assessoria de imprensa de Jaboatão informou que os percentuais de desconto ainda não foram definidos. O que costuma acontecer em dezembro, antes da confecção dos carnês do imposto.

O aumento do valor do IPTU vem sendo aplicado gradativamente. Em 2015, o contribuinte teve que arcar com um acréscimo de 6,59% no IPTU, em relação ao ano anterior. Em 2014, o aumento havia sido de 5,84% em relação a 2013. “Por causa da economia, já esperávamos esse valor de 9 a 10% de aumento”, menciona o diretor. Os boletos começarão a chegar à casa dos contribuintes a partir de janeiro.

Dezoito municípios de PE estão totalmente sem água, diz Compesa

Volume morto da barragem de Jucazinho vai começar a ser utilizado.

Estado tem 126 cidades em situação de emergência, segundo Codecipe.

Do G1 PE
Dezoito cidades de Pernambuco estão em colapso -- totalmente sem água -- e outras 32 estão em pré-colapso. A informação é do presidente da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Roberto Tavares, em entrevista no Bom Dia Pernambuco desta sexta-feira (6). De acordo com a Coordenadoria de Defesa Civil do estado (Codecipe), outras 126 cidades estão em situação de emergência. Veja no vídeo acima.
"Nós temos 50 cidades que estão sendo apoiadas com carro-pipa. Temos situações no Agreste Meridional, como Jupi, Jucati, são cidades que estão no colapso total, absoluto. As barragens que abasteciam secaram e o abastecimento é exclusivemante por carro pipa", apontou Tavares. Segundo ele, os moradores dessas e de outras cidades em colapso não precisam nem acionar a Compesa. "A gente já faz o atendimento emergencial", explicou.
A situação é preocupante para as cidades em situação de emergência. A barragem de Jucazinho, por exemplo, atende doze cidades do Agreste do estado e pode armazenar 327 milhões de metros cúbicos de água, mas está com apenas 2,5% da capacidade. Para retirar o volume morto, a Compesa precisa fazer uma obra, já que as bombas normais já não conseguem captar a água.
Chuva
"Investimos no sistema de Jucazinho, nos últimos 60 dias, R$ 1 milhão, de forma a captar todo o restante da água e tentar chegar no próximo período chuvoso", destacou Roberto Tavares, lembrando que o próximo período chuvoso, de acordo com as previsões, será apenas em março de 2016. "Estamos contando que não vamos ter chuva, nos preparando para isso", declarou ainda o presidente.
Ainda segundo Tavares, a situação na Região Metropolitana é um pouco mais confortável. As três barragens que abastecem as cidades do Grande Recife estão relativamente cheias. "Pirapama está com 97% da capacidade, Tapacurá com 64% e Botafogo, que atende mais a região metropolitana norte, está com 34%", completou ainda o presidente da Compesa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Em protesto, índios bloqueiam PE-270 e cobram melhoria nas estradas rurais

Segundo a PM, o protesto durou cinco horas em Buíque, no Agreste de PE.

Após liberar a rodovia, kapinawás seguiram para praça no Centro.

Do G1 Caruaru
Protesto dos índios em Buíque (Foto: Divulgação/ Polícia Militar)Índios capinawás interditaram a PE-270 (Foto: Divulgação/ Polícia Militar)
Um grupo de índios kapinawás realizou um protesto nesta quinta-feira (5) em Buíque, Agreste de Pernambuco. De acordo com a Polícia Militar, o objetivo da mobilização foi o de reivindicar máquinas para o conserto das estradas rurais do município. Os indígenas interditaram a PE-270, sentido Buíque-Arcoverde. A mobilização foi pacífica, conforme informou a polícia.

G1 entrou em contato com a Prefeitura de Buíque por e-mail. Mas, até o momento desta publicação, não obtivemos resposta.

Ainda segundo a PM, o protesto durou cinco horas. Após liberar a rodovia, o grupo seguiu para a praça Major França, no Centro. Nenhum representante da prefeitura enviou uma resposta para os índios, de acordo com a PM. A polícia também informou que o cacique prometeu que o grupo realizaria outro protesto.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pernambuco reativa três usinas e gera 12 mil empregos em plena crise

Pumaty, Cruangi e Pedroza reabriram na Zona da Mata nos últimos meses.

Já foram produzidos 6 milhões de litros de etanol e 3 toneladas de açúcar.

Marina BarbosaDo G1 PE
Fechada há dois anos em Timbaúba, Cruangi foi reaberta em setembro no sistema de cooperativa e empregou três mil pessoas, moeando a cana de açúcar que estava acumulada na região (Foto: Divulgação / COAF)Fechada há 2 anos em Timbaúba, Cruangi foi reaberta em setembro e empregou 3 mil pessoas (Foto: Divulgação / COAF)
Desativados há pelo menos um ano, os moinhos de três usinas pernambucanas voltaram a moer nesta safra de 2015. Eles foram reativados nos últimos dois meses, justamente no auge da crise econômica que tem derrubado as perspectivas de crescimento e fechado indústrias em todo o país. Parecia arriscado, mas o negócio deu mais do que certo. Ao todo, já foram produzidos mais de seis milhões de litros de etanol, 800 toneladas de mel e três de açúcar. A expectativa é que, ao final do ano, cada unidade fature pelo menos R$ 30 milhões.

As indústrias de alimentos e cosméticos também registraram crescimento nos últimos meses.Veja aqui.
Situadas na Zona da Mata, as usinas já geraram 12 mil empregos diretos e indiretos e foram uma das principais responsáveis pela boa colocação de Pernambuco no último ranking do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): o estado foi apontado como o maior gerador de vagas do Brasil em setembro. Com uma grande produção de açúcar e etanol, os negócios ainda devem ampliar os bons resultados da produção industrial pernambucana, que cresceu acima da média nacional até agosto deste ano.
Pumaty voltou a produzir etanol na cidade de Joaquim Nabuco (Foto: Divulgação / COAF)Pumaty voltou a produzir etanol na cidade de
Joaquim Nabuco (Foto: Divulgação / COAF)
“Estamos quebrando paradigmas, porque dizem que usina que fecha não abre mais e 80 unidades industriais fecharam no Brasil nos últimos cinco anos”, diz Alexandre Andrade Lima, presidente da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana dePernambuco (Coaf), que reabriu as usinas de Cruangi e Pumati. Foi justamente a crise que possibilitou a reabertura. “Enquanto outros estados fecham, nós abrimos. E abrimos na hora certa. Havia um milhão de toneladas de cana sobrando na região e o preço do açúcar reagiu, porque a safra da Índia quebrou. Agora, estamos moendo fila atrás de fila e já estamos exportando até para a Europa”, comemora Gerson Carneiro Leão, sócio da usina Pedroza.
A economista Amanda Aires confirma que o setor canavieiro tem muito a lucrar, mesmo nesta situação de crise. “Este momento é vantajoso porque que as usinas podem exportar mais açúcar e também podem produzir álcool, já que a gasolina está muito cara e o álcool pode substituí-la. É um setor que pode se beneficiar dos dois lados: no câmbio e na venda doméstica”, afirma. “As usinas voltaram a ter um cenário positivo por causa do aumento da gasolina, mas Pernambuco também é muito forte no setor de açúcar e de seus derivados. Muito da produção pernambucana vai para outros estados e isso gera bons lucros”, reforça Thobias Silva, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fiepe).
Em dois meses, usinas já produziram seis milhões de litros de etanol. Produto está sendo vendido para vários estados do Nordeste (Foto: Divulgação / COAF)Em dois meses, usinas já produziram seis milhões de litros de etanol. Com alta da gasolina, produto está valorizado em todo o Brasil e é vendido para vários estados do Nordeste (Foto: Divulgação / COAF)
Apesar de tantas possibilidades de lucro, não foi isso que fez os pernambucanos reativarem suas usinas. Tanto que a Cruangi e a Pumati funcionam em sistema de cooperativa. A Coaf explica que a ideia surgiu quando os canavieiros ficaram sem ter para onde levar a cana colhida na Zona da Mata por causa da desativação de diversas usinas brasileiras. “Eles estavam impossibilitados de continuar no trabalho. Muitos já estavam até desistindo da atividade”, explica Alexandre de Andrade Lima. “Mas não podíamos deixar nossos fornecedores quebrarem”, completa Gerson Carneiro Leão, lembrando que quase um milhão de toneladas de cana já estava retido na região.
Para resolver esse problema, a Coaf implantou um modelo de cooperativa nas usinas Cruangi e Pumaty, situadas nos municípios de Timbaúba eJoaquim Nabuco, respectivamente. “Elas fecharam há dois pela impossibilidade de vender álcool, por causa da valorização da gasolina. Mas, agora, foram a salvação dos nossos moedores de cana. Eles levam e recebem pela cana nas suas cooperativas. No final do ano, ainda vão receber parte dos lucros das usinas”, conta Alexandre de Andrade Lima.
E o faturamento não será pequeno. Em apenas dois meses, cada usina já produziu seis milhões de litros de etanol. Se o ritmo for mantido, cada uma deve faturar cerca de R$ 35 milhões em 2015. O dinheiro será repartido entre 12 mil agricultores, que, na maior parte, planta no quintal da própria casa, com a ajuda da família. "96% deles são fornecedores pequenos, da economia familiar", conta Gerson Carneiro Leão. Já a usina Pedroza, da cidade de Cortês, foca na produção de açúcar e pertence à iniciativa privada. Mesmo assim, deve lucrar o mesmo valor “Produzimos de seis a oito mil sacas por dia. Já vendemos para os estados vizinhos e até para o exterior”, vibra Gerson.
Antes da reativação das usinas, um milhão de tonelada de cana estava sem saída na Zona da Mata de PE (Foto: Divulgação / Pedroza)Antes da reativação das usinas, um milhão de tonelada de cana estava sem saída na Zona da Mata de PE. Agora, material é transformado em açúcar e etanol que vai para fora do estado (Foto: Divulgação / Pedroza)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Pedro Corrêa é condenado a 20 anos de prisão por crimes na Lava Jato


Sentença do juiz federal Sérgio Moro é desta quinta-feira (29).
Condenação é pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Alana Fonseca, Fernando Castro e Thais KaniakDo G1 PR
Lava Jato Pedro Corrêa levado a Curitiba (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)Pedro Corrêa sendo levado a Curitiba, à época da prisão (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)
O ex-deputado Pedro Corrêa foi condenado pela Justiça Federal do Paraná pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro a 20 anos, 7 meses e dez dias de prisão. A sentença do juiz federal Sérgio Moro é desta quinta-feira (29) e é referente à 11ª fase da Operação Lava Jato,deflagrada em abril deste ano. Ele está preso no Complexo Médico-Legal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Pedro Corrêa já havia sido condenado no processo do Mensalão e, quando foi preso na Lava Jato, cumpria pena de 7 anos e 2 meses em regime semiaberto. Ele ainda negocia acordo de delação premiada, segundo Sérgio Moro.
Procurado pelo G1, o advogado Alexandre Augusto Loper afirmou que a sentença é fundada em presunções. "E ainda que existissem provas que pudessem gerar uma condenação, a imputação de corrupção e lavagem ao mesmo tempo é vedada pela jurisprudência do STF", disse. A defesa irá recorrer.
Também foram condenados neste processo Ivan Vernon Gomes Torres Júnior e Rafael Ângulo Lopez, que é delator da operação, pelo crime de lavagem de dinheiro.
O advogado de Ivan Vernon, Marlus Arns de Oliveira, afirmou que irá analisar a sentença após ser intimado.O advogado de Rafael Ângulo Lopez, Adriano Bretas, informou que não houve surpresas na sentença. Ainda segundo Bretas, a condenação respeita os limites do acordo de colaboração estabelecido entre o réu e o Ministério Público Federal (MPF).
Outros dois réus neste processo foram absolvidos do crime de lavagem de dinheiro – Fábio Correa de Oliveira Andrade Neto e Márcia Danzi Russo Correa de Oliveira.
“A família recebe a notícia da absolvição com muito alívio, embora já fosse esperado. Os dois estão muito aliviados. Foi tormentoso. Eles passaram por todo um constrangimento, tiveram a vida devastada. Felizmente, o desfecho foi o melhor possível”, disse o advogado de ambos, Plínio Nunes.
Nesta sentença, o juiz Sérgio Moro deixou de condenar o doleiro Alberto Youssef pelo crime de lavagem de dinheiro, pois ele já foi condenado, com trânsito em julgado, em outras ações penais pelos mesmos crimes, segundo o juiz.
Pedro Corrêa
Ao condenar o ex-deputado, o juiz Sérgio Moro afirmou que ele recebeu pelo menos R$ 11,7 milhões do esquema de corrupção. Apenas um dos repasses chegou ao valor de R$ 2 milhões, segundo o juiz. Esse valor deve ser devolvido por Pedro Corrêa à Petrobras através do confisco de bens dele, após correção monetária.
"O mais perturbador, porém, em relação a Pedro Correa consiste no fato de que recebeu propina inclusive enquanto estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 [Mensalão], havendo registro de recebimentos até outubro de 2012", considerou Sérgio Moro.
Apesar de aplicar a segunda maior pena já aplicada na Operação Lava Jato (Renato Duque foi condenado a 20 anos e oito meses), o juiz não acatou o argumento do MPF de que Pedro Corrêa dirigia a ação dos demais políticos envolvidos no esquema. Conforme o juiz, não foi possível identificar uma liderança clara.
Além dos 20 anos e sete meses de prisão, o juiz atribuiu a Pedro Corrêa multas que somam R$ 2.248.530.
Ao fim da sentença, Moro afirma que tem conhecimento de que Pedro Corrêa negocia acordo de delação premiada. "Nada impede que os eventuais benefícios sejam aplicados posteriormente a esta sentença, em sua integralidade", considerou.
Ângulo Lopez
Funcionário do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopez foi condenado a seis anos e oito meses de reclusão pelo crime de lavagem de dinheiro, além de multa de R$ 62.200. Segundo Sérgio Moro, ele participou da lavagem de R$ 2.234.791.
Esta seria a pena definitiva para Rafael Ângulo Lopez, porém, ele fez acordo de delação premiada com o MPF. Como ele responde a outras ações penais da Lava Jato ainda não julgadas, Moro decretou que a soma delas não poderá ser superior a 15 anos de reclusão.
Além disso, o acordo prevê que o regime semi aberto deve ser substituído por um "regime aberto diferenciado". Este regime prevê:
-recolhimento domiciliar nos fins de semana e nos dias úteis, das 22h às 06h, com tornozeleira eletrônica, pelo período de dois anos;
- prestação semanal de cinco horas de serviços comunitários a entidade pública ou assistencial pelo período de dois anos;
- apresentação bimestral de relatórios de atividades;
- proibição de viagens internacionais salvo com autorização do Juízo pelo prazo do recolhimento domiciliar.
Ivan Vernon
Para Ivan Vernon, a pena estipulado para o crime de lavagem de dinheiro é de cinco anos de reclusão, com regime semiaberto para o início de cumprimento da pena. O juiz ainda atribuiu a ele multa de R$ 19.904.
Segundo a sentença, Ivan Vernon foi responsável pela lavagem de R$ 389.606,04. Ele deve ter bens confiscados nesse montante.
"O condenado confessou parcialmente o crime, admitindo ter cedido suas contas para que Pedro Correa recebesse valores, apontou Sérgio Moro sobre a participação de Ivan Vernon no esquema.