terça-feira, 22 de março de 2016

Presidente recebeu apoio de dezenas de juristas contrários ao impeachment. Para a petista, pode se descrever um 'golpe de Estado' com 'muitos nomes'.


Filipe MatosoDo G1, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff voltou a classificar de "golpe" nesta terça-feira (22) o processo de impeachment que ela é alvo na Câmara dos Deputados e reafirmou que não irá renunciar "jamais". A petista deu a declaração durante ato organizado no Palácio do Planalto para que dezenas de profissionais do meio jurídico manifestassem apoio ao governo e se posicionassem contra a tentativa de afastá-la da Presidência.
Advogados, promotores, magistrados, defensores públicos e professores universitários participaram do evento, que durou cerca de duas horas e meia, batizado de Encontro com Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia.
"Não importa se a arma do golpe é um fuzil, uma vingança ou a vontade política de alguns de chegar mais rápido ao poder. Esse tipo de sinônimo, esse tipo de uso inadequado de palavras é o mesmo que usavam contra nós na época da ditadura para dizer que não existia preso político no Brasil quando a gente vivia dentro das cadeias espalhadas pelo país", complementou a petista."Não cabem meias palavras: o que está em curso é um golpe contra a democracia. Jamais renunciarei. Pode se descrever um golpe de estado com muitos nomes, mas ele sempre será o que é: a ruptura da legalidade, atentado à democracia", enfatizou Dilma no evento.
Além de fazer oposição ao processo de impeachment, o evento no Planalto foi organizado para os juristas demonstrarem contrariedade a ações recentes do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, como adivulgação de áudio de conversa telefônicaentre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A presidente da República foi recebida no salão do palácio no qual foi realizado o ato aos gritos de “não vai ter golpe” e “olê, olê, olá! Dilma, Dilma!”. As palavras de ordem que classificam a tentativa de afastar a petista da Presidência foram repetidas em diversos momentos do evento pela plateia.
'Campanha da legalidade'
Em meio ao seu discurso de aproximadamente 20 minutos, Dilma comparou o ato de apoio dos juristas ao seu governo à "Campanha da Legalidade" comandada, em 1961, pelo ex-governador gaúcho Leonel Brizola para evitar a tentativa de barrar a posse do então vice-presidente João Goulart quando Jânio Quadros renunciou.
A presidente destacou aos convidados que, após o final da ditadura militar, nunca imaginou que voltaria a ser necessário mobilizar a sociedade em torno de uma campanha pela legalidade.
"Preferia não viver esse momento, mas que fique claro: me sobram energia, disposição e respeito à democracia para fazer o enfrentamento necessário à conjuração que ameaça a normalidade constitucional e a estabilidade democrática do país", destacou a petista, gerando aplausos e gritos de apoio entre os convidados.
Dilma ainda comparou o processo de impeachment em curso na Câmara a um “crime contra a democracia”. Na visão dela, não há "base legal" no pedido de afastamento protocolado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal.
Sérgio Moro
Sem citar nomes, a presidente criticou a decisão do juiz federal Sérgio Moro de tornar pública, na semana passada, o conteúdo de uma escuta na qual ela conversava com Lula por telefone. A conversa foi interpretada pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes como uma tentativa de Dilma de obstruir o trabalho da Justiça.
Para a petista, um "executor da Justiça não pode condenar adversários, abdicar de sua imparcialidade e nem se transformar em um militante partidário".
“A Justiça brasileira fica enfraquecida e a Constituição é rasgada quando são gravados diálogos da presidenta da República sem a necessária autorização do Supremo. [Áudios] gravados e divulgados numa evidente violação da segurança nacional”, disse. “E nenhum brasileiro pode aceitar e concordar com isso sob nenhuma hipótese ou justificativa”, afirmou Dilma.
Grampos
Na condição de ex-presidente da Associação Nacional de Juízes Federais (Ajufe), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), foi o primeiro a discursar no evento de apoio à presidente. Diante de Dilma, ele afirmou que, na avaliação dele, a divulgação dos grampos telefônicos que interceptaram uma conversa da petista foram “absolutamente ilegais”.
“Estamos assistindo a um crescimento dramático de posições de porte fascista representadas pela violência cometida por grupos inorgânicos sem líderes e em busca de um fuhrer [expressão alemã usada para designar um líder ou um chefe], de um protetor. Ontem, as Forças Armadas. Hoje, a toga supostamente imparcial e democrática”, discursou Dino, sendo ovacionado pela plateia convidada pelo governo.
Segundo o governador maranhense, “se um juiz quiser fazer passeata, basta pedir demissão do cargo”. Dino foi intensamente aplaudido ao afirmar que Dilma tem “autoridade, como poucos no país”, porque “sacrificou" a vida e "pôs em risco a integridade física” para defender o regime democrático.
Além de Dilma, representaram o governo no ato político os ministros José Eduardo Cardozo(Advocacia-Geral da União), Eugênio Aragão (Justiça), Edinho Silva (Comunicação Social) eJaques Wagner ( chefe de gabinete).
CARD: Dilma aponta 'golpe em curso' e promete: 'Jamais renunciarei' (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Lula
O juiz federal Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti foi um dos profissionais do direito que discursaram no evento. O magistrado criticou a tese de que Lula teria sido nomeado ministro da Casa Civil para obstruir a Justiça – em razão de passar a ter foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal ao assumir o cargo no primeiro escalão.
De acordo com Bezerra Cavalcanti, mesmo estando sob a alçada da Suprema Corte, o ex-presidente não deixaria de ser investigado.
“A nossa casa maior da Justiça é uma casa de impunidade? Penso que não. No passado longínquo, até pode ser, mas na época em que o procurador-geral da República era um engavetador-geral. Hoje, depois que o presidente Lula adotou essa postura e Dilma a manteve, não. Digo aos meus alunos: não pensem que nunca houve tanta corrupção, pensem que nunca houve tanta apuração de corrupção.”
O professor de direito da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Neves disse que a corrupção deve ser combatida, mas, sem citar nomes, criticou vazamentos “ilegais” e o que ele classificou de “absurdo pedido de prisão preventiva de Lula". Na opinião dele, a iniciativa do Ministério Público mostra “clara parcialidade” para “macular” o ex-presidente e o governo.
“Nem juízes, nem ministros do Supremo Tribunal Federal estão acima da lei e da Constituição. Portanto, não é ser contra uma operação policial e uma atuação judicial contra a corrupção. É ser contra a parcialidade, a ilegalidade e a inconstitucionalidade de parte dessas operações, que procuram, de maneira parcial, tornar um grupo desprezível e outro, glorificado”, declarou Neves.
“Ao receber [os áudios entre Lula e Dilma], ele [Sérgio Moro] teria que encaminhar imediatamente para o ministro Teori [Zavascki, relator da Lava Jato no STF]. Mas ele mandou para a TV Globo, divulgou para criar uma convulsão e, só agora, mandou para o Teori”, completou.
Sabóia Filho arrancou sorrisos da plateia ao pedir que haja “menos coxinha e mais croquete” – o termo “coxinha” é atribuído por pessoas favoráveis ao governo àqueles contrários.Estado democrático 'ameaçado'
No ato de apoio a Dilma, o sub-procurador da República João Pedro de Sabóia Filho afirmou que o estado democrático está “ameaçado” por aqueles que querem “manipular a Justiça” e substituir o governo da presidente Dilma Rousseff.
“Nós não vamos assistir de braços cruzados à instrumentalização da Justiça, nem vamos assistir de braços cruzados e permitir que façam com Dilma a mesma covardia que fizeram com Getúlio Vargas”, afirmou.
Lava Jato
Responsável pela defesa de parte dos réus da Lava Jato, o criminalista Alberto Toron criticou no evento o juiz federal Sérgio Moro, a quem ele chamou de “juiz do principado de Curitiba”. Para Toron, o magistrado paranaense tem “arrombado a legalidade” ao negar regras constitucionais.
“Estamos diante de um paradoxo hoje. Em plena democracia, uma autoridade constitucionalmente incumbida de zelar por valores constitucionais, de zelar pela aplicação reta do direito, perversamente descumpre à luz do dia mandamentos claros, que não comportam muita interpretação.”
Toron atacou ainda os “vazamentos” ocorrido na Operação Lava Jato. “Quando o juiz não é alvo de atenção de corregedorias e do Conselho Nacional de Justiça, temos uma franca impunidade – e que hoje se fala tanto – por uma atividade marcadamente ilegal”, completou.

O mundo em gerra contra a sombra, terror em aeroporto na Bélgica


Explosões atingiram o aeroporto de Zaventem e estação de metrô.
Ao menos 34 morreram e mais de 200 ficaram feridos, segundo a imprensa.

Do G1, em São Paulo
Atentados terroristas deixaram dezenas de mortos e feridos no Aeroporto Internacional de Zaventem e na estação de metrô Maelbeek em Bruxelas, na Bélgica, na manhã desta terça-feira (22). O Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelos ataques, diz uma agência de notícias ligada ao grupo, segundo a Reuters.
"Os combatentes do Estado Islâmico realizaram uma série de bombardeios com cintos e aparatos explosivos nesta terça-feira, tendo como alvos o aeroporto e uma estação de metrô no centro da capital da Bélgica, Bruxelas", escreveu a agência AMAQ.O número de vítimas ainda é desencontrado. A imprensa fala em 34 mortos e mais de 200 feridos, mas os números não param de crescer. As explosões levaram o país a entrar em alerta máximo para atentados terroristas.
O primeiro-ministro belga, Charles Michel, condenou o que classificou de "atentados cegos, violentos e covardes" que atingiram a capital belga. "Temíamos um atentado terrorista e aconteceu", lamentou.

Explosões
Duas explosões ocorreram no aeroporto e uma no metrô. Pelo menos uma delas foi provocada por um homem-bomba, segundo procuradoria local. Vozes em árabe e tiros também teriam sido ouvidos no local, segundo a imprensa belga.
Inicialmente, a imprensa divulgou que as explosões ocorreram na área de embarque, e houve ainda um relato de que foram perto de um balcão da companhia American Airlines – o que a empresa nega.
A polícia do país diz ter encontrado um rifle Kalashnikov ao lado dos corpos no aeroporto de Bruxelas, segundo a emissora pública belga VRT. O canal privado VTM disse que um cinto com explosivos  foi localizado e detonado pela polícia.
Mapa atentados de Bruxelas de 22/3/16 (Foto: Editoria de arte/G1)
Brasileiros
Brasileiros que moram na cidade relataram ao G1 momentos de tensão e medo. A jornalista Samla da Rosa, de 53 anos, que mora em Bruzelas há 20, estava no trem que sofreu o atentado.
"Tudo se passou muito rápido. O barulho foi surdo e a janela do metrô caiu sobre a minha cabeça. As luzes foram cortadas imediatamente. Olhei para o lado, vi fumaça, fogo do lado de fora, alguns trilhos destruídos e algumas pessoas correndo na plataforma do outro lado", relatou por e-mail.
A fisioterapeuta Neuseli Lamari, que foi a Bruxelas para participar de um congresso, escapou por pouco do atantado. "Foi por um minuto que perdi o trem que explodiu. Apesar do alívio enorme por ter perdido o trem anterior, não deixa de ser assustador estar em meio a toda essa confusão. Era uma fumaceira e uma correria só", disse.
Entre os feridos na explosão no aeroporto está o ex-jogador de basquete belga-brasileiro Sebastien BellinEle foi colocado sob cuidados intensivos e, até o momento, não há informações sobre seu estado de saúde. Bellin defendeu a seleção belga e foi pivô dos clubes Anvers e Mons-Hainaut.
Sebastien Bellin, que tem nacionalidade belga, chegou a defender a seleção do país (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)O jogador de basquete Sebastien Bellin (no chão) está entre os feridos em uma das explosões no aeroporto de Bruxelas (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)
Metrô
Uma terceira explosão atingiu a movimentada estação Maelbeek, que fica perto de um bairro onde parte das representações da União Europeia está sediada, segundo a CNN.
O prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, afirmou que 20 pessoas morreram no metrô e dezenas ficaram feridas, sendo algumas delas gravemente.
Um diplomata esloveno ficou ferido nos ataques. A imprensa local afirma que ele estava se deslocando para o trabalho de metrô no momento das explosões, segundo a Reuters.
Explosões no aeroporto de Bruxelas deixaram mais de 10 mortos e dezenas de feridos (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)Explosões no aeroporto de Bruxelas deixaram mais de 10 mortos e dezenas de feridos (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)
Ainda de acordo com a CNN, dezenas de pessoas foram retiradas de macas do aeroporto. As fotos do local mostram destroços e vidros quebrados.
Uma testemunha que estava na área de embarque contou em entrevista a TV5 que logo após a primeira explosão houve um “momento de perplexidade”. Poucos instantes depois, veio a segunda explosão e “ninguém mais teve dúvida do ataque”, dando início à correria.
Segurança
O primeiro-ministro belga, Charles Michel, afirmou que, nesse momento, a prioridade é estabilizar a situação: reforçar a segurança em alguns pontos onde temiam alguma ameaça e dar socorro às vítimas.
O primeiro-ministro pediu calma e solidariedade para os compatriotas. “Nós estamos face a uma dificuldade, um desafio. Vamos enfrentar unidos e solidários”, declarou.
Ele disse que existe informações sobre mortos, mas não citou números. “Há muitos feridos, alguns, graves. É um momento negro para o nosso país”, afirmou.
As autoridades recomendam às pessoas evitar deslocamentos. O sinal de celular está prejudicado. Por isso, as autoridades orientam a enviar mensagens ou fazer contatos por redes sociais. As ligações telefônicas devem ser deixadas apenas para emergências.  
Fumaça no terminal de embarque do Aeroporto Internacional de Zaventem, em Bruxelas, na Bélgica, após explosões (Foto: Daniela Schwarzer / via AP Photo)Fumaça no terminal de embarque do Aeroporto Internacional de Zaventem, em Bruxelas, após explosões (Foto: Daniela Schwarzer / via AP Photo)
Foram esvaziadas todas as estações de metrô e suspendido o deslocamento de trens em Bruxelas.
O aeroporto foi esvaziado e fechado para pousos e decolagens, e o tráfego aéreo está interrompido e desviado para outras regiões.
A polícia bloqueou todas as vias de acesso ao complexo. O serviço de ônibus também foi interrompido.
Veículos de serviços de emergência no aeroporto de Zaventem (Foto: Francois Lenoir / Reuters)Veículos de serviços de emergência no aeroporto de Zaventem (Foto: Francois Lenoir / Reuters)
Luta contra o terrorismo
As explosões ocorreram quatro dias após a prisão, em Bruxelas, de Salah Abdeslam, principal suspeito pelos ataques de Paris em novembro.
Desde o início da semana passada, a polícia belga faz buscas por suspeitos de terem participado dos atentados de Paris que deixaram 130 mortos e mais de 200 feridos. Um suspeito foi morto após a invasão de um apartamento.
Na segunda-feira (21), a polícia divulgou a identidade de mais um suspeito de envolvimento com os ataques. Conhecido sob a falsa identidade de Soufiane Kayal, ele foi identificado como Najim Laachraoui, um homem de 24 anos.
Repercussão
Em pronunciamento à nação, o rei Philippe da Bélgica disse que ele e a rainha Mathilde compartilham a dor de todos aqueles que sofreram por causa dos ataques “covardes e cheios de ódio” desta terça. “Diante da ameaça, continuaremos a responder juntos com firmeza, calma e dignidade”, disse.
As explosões na Bélgica levaram a Alemanha a refoçar a segurança no Aeroporto de Frankfurt. O ministro do Interior alemão afirmou que não há indicações de que os autores dos atentado tenham alguma relação com a Alemanha, segundo a Reuters.
França
O presidente da França, François Holland, afirmou que os ataques à Bélgica "atingem toda a Europa". O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, direcionou 1,6 mil policiais a mais para manter a segurança das fronteiras e no sistema de transportes do país.
França também reforçou segurança no Aeroporto Charles de Gaulle, na região de Paris. As autoridades esvaziaram a estação de trens e metrô Gare du Nord, em Paris, após um pacote suspeito ter sido encontrado no local.
Os trens de alta velocidade que ligam Paris a Bruxelas, Colônia (Alemanha) e Amsterdam (Holanda) foram paralisados completamente, informou a Thalys, companhia que opera o serviço, em seu site oficial.
A torre Eiffel vai ser iluminada com as cores da bandeira da Bélgica nesta noite, em homenagem às vítimas, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, via Twitter.
Inglaterra
A polícia britânica reforçou sua presença em estações, aeroportos e outros locais públicos, de acordo com a France Presse. A Eurostar concelou trens para Bruxelas, como informou a Reuters.
O chefe de antiterrorismo da polícia britânica, Mark Rowley, esclareceu que a medida não tem nada a ver com alguma ameaça secreta contra o Reino Unido.

Papa Francisco condenou a violência cega dos atentados em Bruxelas e afirmou estar orando pelas vítimas.