quinta-feira, 7 de julho de 2016

Do auge à queda: a trajetória de poder de Cunha em 5 capítulos

Três anos atrás, Eduardo Consentino da Cunha era praticamente um anônimo para o grande público, mas um velho conhecido da gestão Dilma Rousseff e das entranhas da política brasileira.Personagem cuja trajetória remonta à campanha de Fernando Collor de Mello, em 1989, e ao governo de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro no fim da década de 1990, o deputado estava apenas em seu terceiro mandato em 2013, ano cujos protestos de junho derrubaram a avaliação da maioria dos governantes - incluindo Dilma, até então surfando em ondas inéditas de popularidade.
Enquanto a maioria dos políticos analisava como responder ao clima de insatisfação generalizado no país, Cunha iniciava ali, ao menos de forma mais explícita, seu caminho para se tornar um dos políticos mais poderosos do país.
Certamente não imaginava, porém, que toda essa visibilidade caminharia para a renúncia, às lágrimas, da presidência de uma Casa que até pouco tempo atrás todos diziam estar sob seu completo domínio.
"Resolvi ceder aos apelos generalizados dos meus apoiadores, diante da interinidade bizarra da Casa. Somente minha renúncia pode por fim a isso", disse Cunha ao renunciar à presidência da Câmara na tarde desta quinta-feira.
Relembre, em cinco tópicos, os fatos que construíram um personagens mais controversos da história recente do país.
Michel Temer sempre evitou tecer críticas a Eduardo Cunha.© Fornecido por BBC Michel Temer sempre evitou tecer críticas a Eduardo Cunha.

1) Ascensão

Ao assumir a liderança do PMDB, em fevereiro de 2013, Cunha foi responsável por uma guinada no então tranquilo relacionamento entre o governo Dilma e a base aliada na Câmara.
O ponto alto da tensão foi evidenciado na discussão da MP dos Portos, em maio do mesmo ano, medida provisória que definiu novas regras para o setor portuário.
Acusado de atuar a favor das empresas do setor, Cunha liderou uma rebelião contra o governo, que acabou obrigado a fazer concessões para conseguir a provar a proposta - que, assim, demandou longas e tensas sessões no Congresso.
No fim, o processo expôs a primeira cisão pública entre ele e a presidente: o deputado a acusou de descumprir acordos ao vetar alguns pontos da MP.
A partir de então, o peemedebista articulou um bloco de parlamentares insatisfeitos de vários partidos da base aliada e da oposição. E, em 2014, começou a defender abertamente que o PMDB rompesse com o PT.
O "blocão" dificultou a vida do governo na Câmara, e como seu principal representante, Cunha foi alçado ao noticiário e paulatinamente se fortaleceu entre as grandes forças políticas.
Deputado se transformou em porta-voz dos aliados descontentes com o governo.© Fornecido por BBC Brasil Deputado se transformou em porta-voz dos aliados descontentes com o governo.

2) Poder

A Operação Lava Jato era uma grande nuvem negra se aproximando da classe política brasileira - e os boatos já davam conta de que o peemedebista tinha sido seriamente implicado nas investigações.
Mas embalado pelo status de opositor - ainda que não oficial - do governo e por uma fácil reeleição nas eleições de 2014, Cunha venceu facilmente a disputa para comandar a Casa em fevereiro de 2015, mesmo sob forte oposição do PT, que tentou emplacar Arlindo Chinaglia no posto.
A aposta da gestão de Dilma Rousseff na tentativa frustrada de impedi-lo de assumir o cargo apontava um temor que depois provou fazer sentido.
Como presidente da Câmara, ele tomou em suas mãos o controle da pauta da Casa e aplicou várias derrotas à gestão petista - em algumas das vezes, seu amplo e célebre conhecimento das regras do Legislativo permitiram que recolocasse em votação parte das poucas propostas em que havia perdido, provocando críticas de seus opositores.
À época, o peemedebista também recebia elogios pelo ritmo intenso de votações que imprimiu. O ano de 2015 se tornou o recordista no número de propostas votadas na Câmara desde 1991.
Sua força se manteve mesmo quando as investigações da Lava Jato já o encurralavam: Cunha rompeu oficialmente com o governo e começou a cortejar publicamente os movimentos pró-impeachment, mas, segundo os bastidores políticos, negociava com os dois lados uma estratégia para sua salvação.
A moeda de troca: aceitar ou não um pedido de impeachment de Dilma, suspense que durou quase todo o segundo semestre do ano passado e teve o desfecho que conhecemos: a petista aguarda julgamento fora do cargo, para o qual pode nunca mas voltar.
Com avanço da Lava Jato, peemedebista virou alvo frequente de protestos.© Foto: Fornecido por BBC Com avanço da Lava Jato, peemedebista virou alvo frequente de protestos.

3) Declínio

Embora provasse frequentemente sua força, Cunha começou a sofrer seguidos desgastes públicos.
Aos poucos, delatores da Lava Jato foram o implicando cada vez mais no escândalo de corrupção da Petrobras.
Sua situação piorou quando o Ministério Público da Suíça informou seus pares brasileiros sobre milhões depositados no país europeu, atribuídos ao deputado.
O problema é que ele havia negado, em depoimento à CPI da Petrobras, possuir contas bancárias no exterior. Diante disso, PSOL e Rede entraram com um pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara, argumentando que ele havia quebrado o decoro parlamentar ao mentir para seus colegas.
Cunha até hoje sustenta que não mentiu - diz que os valores eram geridos por trusts (fundações que administram recursos de terceiros) e, logo, que ele é apenas um beneficiário.
O processo interno contra ele, porém, acabou caminhando, mesmo que a passos lentos. E as apurações da Lava Jato avançaram de tal modo que ele acabou se tornando réu do caso no STF - já são duas ações, e podem vir mais por aí.
Processo de impeachment virou tábua de salvação - mas só por um tempo.© Foto: Fornecido por BBC Processo de impeachment virou tábua de salvação - mas só por um tempo.

4) Resistência e aceitação do pedido de impeachment

A queda de Cunha era defendida por muitos há meses - e não eram poucos os que acreditaram, em vários momentos, que ela estava próxima.
Mas a verdade é que o peemedebista se provou resistente - contando para isso com a ajuda de uma verdadeira tropa de choque de deputados aliados agindo em sua defesa.
Por meio de manobras regimentais, esse grupo fez o processo no Conselho de Ética voltar ao ponto zero quando já se encaminhava para uma conclusão. Como resultado, a análise de seu caso se tornou a mais longa do colegiado: foram oito meses de exaustivas discussões, recursos e tentativas de anular a ação.
As composições no conselho, aliás, são apontadas como estopim do início do impeachment, em dezembro de 2015: Cunha acolheu o pedido de afastamento de Dilma na mesma semana em que o PT anunciou que votaria contra ele.
Ao dar início ao processo, ele ganhou mais tempo no poder: na oposição, era forte o sentimento de que o peemedebista teria papel fundamental na condução dos trâmites na Casa, o que de fato ocorreu.
Pelas mãos de Cunha, a escolha da comissão que analisaria o caso teve uma reviravolta - no lugar de uma composição pró-governo, ele articulou a eleição de uma chapa avulsa.
Além disso, o deputado imprimiu velocidade ao processo e manejou o calendário para que a votação pelo plenário ocorresse no dia 17 de abril, um domingo, atraindo as atenções de todo o país.
© Foto: Fornecido por BBC

5) Queda

A partir do dia 17 de abril, o impeachment virou assunto do Senado, levando o mundo político a questionar qual seria o papel de Cunha daí em diante.
A resposta não levou muito tempo: cerca de duas semanas depois, ele acabou afastado da presidência da Casa e do mandato pelo STF.
O ministro Teori Zavascki, responsável pela Lava Jato no STF, atendendo a pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot, entendeu que ele usava sua posição para constranger pares e atrapalhar investigações contra si. A decisão acabou ratificada, por unanimidade, pela corte.
Um mês depois, o juiz Sergio Moro tornou a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, ré em um processo, acusando-a de ser favorecida pelos valores depositados na Suíça.
E as notícias negativas não pararam por aí: depois de oito meses de manobras, o Conselho de Ética da Câmara finalmente votou o parecer recomendando sua cassação.
A verdade é que o argumento do trust não surtiu efeito: com base em assinaturas suas e em comprovantes de pagamentos de despesas sua família, o conselho aprovou no mês passado parecer recomendando sua cassação - foram 11 votos a 9, quando as apostas eram de um empate ou vitória dele.
Com isso, suas opções de manobras praticamente se exauriram: restou apresentar um recurso à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pedindo a anulação do processo sob o argumento de cerceamento de defesa.
O relator do pedido, o deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), emitiu parecer defendendo que a votação pelo Conselho de Ética seja anulada - cuja aprovação é avaliada como improvável pela maioria.
Nesse meio tempo, Cunha anunciou sua renúncia nesta quinta, abrindo espaço para sua sucessão no comando da Casa.
Caso as previsões se confirmem na CCJ, o plenário deve decidir sobre sua cassação nas próximas semanas. Serão necessários 257 votos, a maioria simples da Casa, para que ele perda seu mandato.
Restará ainda saber qual papel ele assumirá, a depender da evolução dos processos dos quais é alvo na Lava Jato - uma das dúvidas é se ele continuará aliado de Temer, com quem se encontra periodicamente, ou se representará uma ameaça.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Concurso da Compesa chega a ter 764 candidatos para uma única vaga


Valor oferecido pela instituição varia de R$ 1.844,51
a R$ 7.480 (Foto: Compesa/Divulgação)
Mais de 11 mil pessoas se cadastraram no concurso público da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). A grande quantidade de inscrições acabou tornando a vida do concurseiro um pouco mais difícil. Eles vão disputar 65 vagas disponíveis. Para analista de gestão/biólogo, a concorrência é de 764 candidatos para uma única vaga. Já Analista de Gestão/Médico do Trabalho registrou a menor disputa do certame, 15 candidatos por vaga.

O processo seletivo visa preencher 65 vagas de níveis técnico e superior em todo o estado. Os salários oferecidos pela instituição variam de R$ 1.844,51 a R$ 7.480,00.

Com 2.399 candidatos, o cargo de analista de gestão/advocacia recebeu o maior número de inscritos do concurso. Eles disputarão quatro vagas em todo estado. Entre os cargos mais procurados estão: técnicos em segurança do trabalho (1.483 inscritos para quatro vagas) e saneamento (1.024 inscritos para 23 vagas). Ao todo, a Compesa recebeu 11.132 inscrições validadas.

As provas serão realizadas no dia 17 de julho. O horário será das 8h às 12h para os testes de nível superior e das 14h30 às 18h30 para nível médio técnico. Os locais das provas ainda não foram divulgados. Esses e outros detalhes podem ser conferidos no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), organizadora do certame. As primeiras contratações devem ocorrer já a partir de setembro deste ano, de acordo com a Compesa.
Número de inscritos
Analistas de Gestão
Administrador de Banco de Dados – 187
Advogado – 2.399
Biólogo – 764
Contador – 945
 Economista – 189
Médico do Trabalho – 30

Analista de Saneamento
Engenheiro de Meio Ambiente – 491
Engenheiro de Produção – 357
Engenheiro de Telecomunicações – 113
Engenheiro Florestal – 157
Engenheiro Mecânico – 366
Geólogo – 108
Químico – 532

Assistente de Saneamento e Gestão
Assistente de Tecnologia da Informação – 471
Técnico em Segurança do Trabalho – 1.483
Técnico Operacional (Habilitação em Eletrônica) – 236
Técnico Operacional (Habilitação em Eletrotécnica) – 509
Técnico Operacional (Habilitação em Química) – 771
Técnico Operacional (Habilitação em Saneamento) – 1.024

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Acidente deixa nove pessoas feridas na BR-424 em Venturosa, no Agreste

Do G1 Caruaru

Nove pessoas ficaram feridas em acidente na BR-424 (Foto: Divulgação/PRF)Nove pessoas ficaram feridas em acidente na BR-424 (Foto: Divulgação/PRF)
Nove pessoas ficaram feridas em um acidente na BR-424, no km 50, em Venturosa, no Agreste dePernambuco, no domingo (12). De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, dentre os feridos estão duas crianças, uma de dez e a outra de 11 anos de idade. A PRF informou que a colisão foi provocada por um veículo que realizou uma ultrapassagem em local proibido.

Após a ultrapassagem, o condutor de um carro que seguia pela rodovia perdeu o controle e bateu de frente com outro automóvel. O motorista do veículo que fez a ultrapassagem irregular fugiu do local e não prestou socorro às vítimas, segundo a PRF.

Os feridos foram encaminhados para unidades hospitalares em Caruaru e no Recife. Não há informação sobre o estado de saúde das vítimas
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Machado diz que pagou mais de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/machado-diz-que-pagou-mais-de-70-milhoes-renan-juca-sarney-19440263#ixzz4AZCtmjox © 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.




BRASÍLIA — O ex-senador Sérgio Machado disse, numa série de depoimentos após fechar acordo de delação premiada, que arrecadou e pagou mais de R$ 70 milhões desviados da Transpetro para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), para o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), entre outros líderes do PMDB. Segundo Machado, a soma mais expressiva, R$ 30 milhões, foi destinada a Renan, o principal responsável pela indicação dele para a presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobras e maior empresa de transporte de combustível do país.

Renan indicou Machado para a presidência da Transpetro em 2003, no início do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o manteve apoio para a permanência dele no cargo até ano passado, mesmo depois de ter sido acusado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, de receber propina. Sarney também recebeu uma soma significativa, conforme a contabilidade do ex-presidente da Transpetro. Machado disse que repassou aproximadamente R$ 20 milhões para o ex-senador durante o período que esteve à frente da estatal.

Romero Jucá, que ficou uma semana como ministro do Planejamento do governo do presidente interino Michel Temer, foi destinatário de quantia similar a de Sarney, cerca de R$ 20 milhões. Machado também disse que abasteceu também contas dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Jáder Barbalho (PMDB-PR). As acusações de Machado são consideradas devastadoras. O ex-presidente da Transpetro falou sobre as somas repassadas aos padrinhos políticos dele e, como se não bastasse, indicou os contratos e os caminhos percorridos pelo dinheiro até chegar aos destinatários finais.

 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Afastado da Câmara, Cunha tem gastos que ultrapassam R$ 500 mil por mês

A Câmara gasta cerca de R$ 400 mil mensais com o custeio da residência oficial que está sendo ocupada pelo deputado Eduardo Cunha, afastado do cargo de Presidente da Casa e do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, Cunha tem direito a salário mensal de R$ 33,7 mil e verba de R$ 92 mil para pagar os funcionários do gabinete, elevando os gastos para mais de R$ 500 mil por mês.
Os dados foram levantados pelo PSOL e estarão em documento a ser entregue à Procuradoria Geral da República junto com pedido de suspensão de pagamento de benefícios a Cunha, garantidos por ato da Mesa Diretora.
Os cálculos incluem o salário pago à servidora da Câmara que administra a residência oficial (R$ 28,2 mil); um contrato de prestação de serviços de copa e cozinha (R$ 35,9 mil, já incluídos os salários de um chefe de cozinha, três cozinheiros, dois auxiliares de cozinha, quatro garçons e duas arrumadeiras) e um contrato de serviço de vigilância terceirizada (R$ 60,3 mil). O partido também incluiu na conta um contrato de R$ 29,3 mil para o pagamento de quatro motoristas.
Para os gastos com a segurança pessoal de Cunha, garantida pelo ato da Mesa Diretora, o PSOL também calculou o pagamento de 16 agentes do Departamento de Polícia da Casa (Depol), estimando um gasto de R$ 217 mil. Há ainda despesas mensais com alimentação, água, luz e telefone, totalizando cerca de R$ 35 mil.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Uma pediatra de Porto Alegre (RS) se recusou a atender uma criança de um ano e meio de idade na última semana pelo simples fato de ser filho de uma militante do Partido dos Trabalhadores (PT).

isso é um absurdo, já imaginou um professor petista se recusar a ensinar o filho de um militante tucano? 
Ver as imagens
Ariane trabalhou na gestão de Tarso Genro (PT-RS) quando governador. (Reprodução/Rádio Guaíba)
A situação foi relatada por Ariane Leitão, mãe do pequeno Francisco, uma criança que por sua vez não tem idade para entender nada de política ou da situação do país. A militante publicou o relato em sua página no Facebook e, em pouco tempo, a história viralizou nas redes sociais. 
“Na semana passada, no auge dos ataques contra o presidente Lula [após nomeação para ministro da Casa Civil e divulgação dos grampos] fui surpreendida por uma mensagem da pediatra do meu filho a dizer que estava declinando de maneira irrevogável de atender o Francisco por eu ser petista”. Segundo ela, Maria Dolores Bressan, era pediatra do filho de Ariadne “desde que ele nasceu”. 
Entretanto, o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul, Paulo Argollo, disse em entrevista ao site Pragmatismo Político que a conduta da médica foi “absolutamente ética”. Para Argollo, a pediatra não tem que arrepender de sua atitude, e sim “se orgulhar, porque agiu de maneira ética e honesta”. 
Ariane Leitão, 34, foi secretária de Políticas para as Mulheres do Rio Grande do Sul durante a gestão Tarso Genro (PT-RS). Depois da polêmica em torno do caso, o Conselho Regional de Medicina (Cremers) vai abrir uma sindicância para investigar a denúncia.
Abaixo, veja a mensagem que a médica enviou para Ariane e diga o que achou da atitude dela nos comentários: 
“Bom dia Ariane. Estou neste instante declinando em caráter irrevogável da condição de pediatra de Francisco. Tu e teu esposo fazem parte do Partido dos Trabalhadores (ele do PSOL) e depois de todos os acontecimentos da semana e culminando com o de ontem, onde houve escárnio e deboche do Lula ao vivo e a cores, para todos verem (representante maior do teu partido), eu estou sem a mínima condição de ser pediatra do teu filho. Poderia inventar desculpas, te atender de mau humor, mas prefiro a HONESTIDADE que sempre pautou minha vida particular e pessoal.
Se quiser posso fazer um breve relatório do prontuário dele para tu levar a outro pediatra.
Gostaria que não insistisse em marcar consultas mais.
Estou profundamente abalada, decepcionada e não posso de forma nenhuma passar por cima dos meus princípios. Porto Alegre tem muitos pediatras bons. Estarás bem acompanhada.
Espero que compreendas” 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Suspeitos de envolvimento na morte de Beatriz foram demitidos do colégio


Segundo colégio, demissões começaram em janeiro de 2016.
Polícia disse que pelo menos 5 pessoas podem ter envolvimento no caso.

Taisa AlencarDo G1 Petrolina
Os cinco funcionários suspeitos de envolvimento na morte de Beatriz Angélica Mota, de 7 anos,morta em dezembro do ano passado, a facadas durante uma festa no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foram demitidos da escola em janeiro.
A informação foi confirmada pela direção da instituição nesta quarta-feira (30), um dia após a Polícia Civil informar que o crime foi praticado por mais de uma pessoa e que os suspeitos tinham ligação com o colégio.

Na terça-feira (29), o delegado responsável pelo caso, Marceone Ferreira e o perito criminal Gilmário Lima, confirmaram que os autores do assassinato de Beatriz conheciam o local ou tinha informações sobre o ambiente. O delegado apresentou cinco pessoas do colégio, identificadas apenas como 'personagens', que mentiram ou entraram em contradição durante o depoimento e que possívelmente estão envolvidas no crime.
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A área marcada em preto é considerada pela polícia como área de execução do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)A área marcada em preto é considerada pela
polícia como área de execução do crime
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Demissões
Segundo o advogado da escola, Clailson Ribeiro, a instituição só tomou conhecimento de que pessoas que trabalhavam no colégio estavam sendo tratadas como suspeitas durante a coletiva realizada na terça (29). Mas, garantiu que os funcionários que mentiram ou entraram em contradição, como informou a polícia, foram demitidos.
“Desde quando começaram as investigações, o colégio disponibilizou um corpo jurídico para acompanhar os depoimentos e o que nós detectamos é que alguns funcionários do colégio apresentaram divergências em seus depoimentos. Mas, nada apontando a autoria do crime. O colégio não só detectou cinco pessoas, como apontou aproximadamente sete e desligou essas sete pessoas. Todas elas atualmente não pertencem mais ao quadro de funcionários do colégio”, explicou o advogado. 
Sobre as datas que ocorreram as demissões, o advogado disse apenas que o processo começou no mês de janeiro. “Por questão de sigilo a gente não deve informar datas para que não se faça associação do desligamento do funcionário ao nome. Até porque nós deligamos unicamente em virtude da divergência nos depoimentos, não foi nada direcionado em relação a autoria”, ressaltou.
Envolvimento no crime
Para o advogado, a possível participação de funcionários não pode ser deixada de lado. “Eu acho que essa é uma informação que não pode ser descartada. Nós, assim como a polícia, não descartamos nenhuma hipótese, mas não posso deixar de externar nossa perplexidade diante dos comentários feitos pelo delegado na coletiva de ontem, já que o inquérito esta tramitando de maneira sigilosa. Ao apontar os cinco personagens que estão no colégio, ele colocou em cheque todos os nossos funcionários", comentou.
O advogado diz ainda que a declaração foi feita de forma irresponsável. “Ele não poderia divulgar dessa maneira tal informação ou divulgasse de maneira plena, apontando nomes, para que não ficasse dúvidas sobre todos nós”, ponderou.
Marca mostra como o corpo de Beatriz foi encontrado (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Marca mostra como o corpo de Beatriz foi
encontrado (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Apoio nas investigações
O representante da escola esclareceu que não sabe se o objetivo dos autores era atingir a escola e que todo o apoio necessário para auxiliar nas investigações foi dado. Porém, diz que pode ter tido falha da polícia na perícia.
“Desde quando aconteceu o fato, o colégio liberou completamente as suas instalações para que a polícia pudesse desenvolver o seu trabalho. A polícia realizou mais de 50 diligências no colégio. Então, se ela não isolou, se ela não aplicou as técnicas e os produtos necessários para identificar manchas de sangue logo nos primeiros dias, eu acredito sim que isso de alguma maneira tenha contribuido para que o crime não tenha sido elucidado ainda”, relatou o advogado.

Chaves
Também durante a coletiva, o delegado Marceone Ferreira disse que três chaves da escola, possivelmente utilizadas pelos suspeitos para abrir portões como rota de entrada e fuga no dia crime, foram robadas do colégio 10 dias antes do homicídio.  Antes de desaparecer, as chaves teriam passado por um segurança e dois assistentes diciplinares. O sumiço foi registrado no final do dia 30 de novembro, pela direção da escola em um livro de ocorrências.
Portões que tiveram as chaves desaparecidas dias antes do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Portões que tiveram as chaves desaparecidas dias antes do crime (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
“Foi uma informação que tomamos conhecimento no decorrer no inquérito, mas em novembro desapareceram, sumiram, foram perdidas três chaves. Como esse fato se deu dias antes do homicídio da Beatriz, o colégio tratou apenas de realizar cópias e depois substituiu os cadeados. Até porque não se imaginava o que poderia acontecer”, destacou Clailson Ribeiro.

Suspeitos
Até o momento, as investigações apontam que pelo menos cinco pessoas tenham envolvimento na morte de Beatriz. Sendo quatro homens e uma mulher. Um dos homens aparece nas imagens da cobertura oficial do evento, visivelmente nervoso, perto do horário do crime. Outro negou ter estado dentro da quadra, mas imagens da festa mostram o contrário.

O terceiro suspeito pediu para não trabalhar dentro da quadra no dia da formatura e disse à polícia que não esteve em momento algum no local, mas testemunhas o viram na festa. O quinto suspeito, um vigilante, foi visto entrando em uma sala vazia, onde ficou cerca de 1h40, quando deveria estar em outro setor.
Colégio Nossa Senhora Auxiliadora colocou faixa de luto pela morte de Beatriz (Foto: Taisa Alencar / G1)Colégio Nossa Senhora Auxiliadora colocou
faixa de luto pela morte de Beatriz
(Foto: Taisa Alencar / G1)
Segurança
Diante das últimas informações sobre o caso, apontando o envolvimento de funcionários no crime,  Clailson Ribeiro assegurou que não há riscos para os estudantes que atualmente estão matriculados na instituição.

“Quero afirmar que o colégio é uma escola segura, uma das melhores da cidade. E que pessoas que identificamos com depoimentos contraditórios não mais estão no nosso quadro de funcionários", disse o adbogado.
Crime
Beatriz saiu de perto da mãe, Lúcia Mota, por volta das 22h08 do dia 10 de dezembro, noite em que ocorreu a festa de formatura do colégio, quando pediu para ir até o bebedouro, localizado na parte inferior da arquibancada e não retornou mais. O corpo da menina foi encontrado por volta das 22h50, em uma sala de material esportivo que estava desativada, devido a um incêndio que ocorreu em outubro de 2015.